Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

NO VÃO DA ESCAD

 

 A VISINHA DO LADO

Anda cá ó Vergininha

Não despreze o seu vizinho,

Tenho pensado á dias
Que é triste viver sozinho.
 
Diga lá o vizinho o que tem
Com essa lábia descarada,
Presumo que quer alguém
Que lhe faça a marmelada.
 
Mas se é isso que quer
Daqui não vai levar nada,
Pois não se pode esquecer
Que eu sou uma Sra. Casada.
 
Mas que sermão tão estridente
De uma boca tão rosada,
O que dirá esta gente
Ao ouvir tal trovoada.
 
Foi a experiência que me fez
Despoletar este sermão,
Por saber o que quer um freguês
Que está na sua condição.
 
Estou a gostar destes momentos
Mesmo aqui no patamar
Faz-me lembrar os bons tempos
Que passei a namorar.
 
Se falasse-mos na minha casa
Na beira da minha cama,
Veria como se arrasta a asa
E também como se ama.
 
Não esperava tal resposta
Da boca de uma petiza
Julgava-te moça inocente
Mas já tens a escola precisa.
 
Estou a pensar e estou-me a rir
Deste encontro imprevisto,
Se eu o deixasse cá vir
Você ficava mal visto.
 
 Se quer pode experimentar
E eu dou-lhe a palavra minha,
Que vou muito bem tratar
Dessa sua linda maninha.
 
Que arrepio me deu na espinha
E ao mesmo tempo um tremor,
E aqui a minha maninha
Já está cheia de calor.
 
Mas eu posso refresca-la
Com um banho de agua viva,
E também posso massaja-la
Com um creme de saliva.
 
Sobre o que está a querer
Não sei bem o que lhe diga,
Mas estou curiosa de saber
O gosto da sua saliva.
 
O gosto da minha saliva
É um doce de capilé
Que vai da testa á barriga
E da barriga até ao pé.
 
Não imagina o vizinho
Quanto eu tenho sofrido,
Quando de manhãzinha
Eu digo ao meu marido,
Para me dar um beijinho
Onde eu agora não digo.
 
Ai que eu vou desmaiar
Por ouvir tal impropério,
E eu que estava a pensar
Que tinha um vizinho a sério.
 
Eu não sou um marialva
Sou uma pessoa de bem,
E a vizinha não perca a calma
E ouça-me, veja bem.
 
Como sabe eu sou sozinho
E a vida passa a correr,
Se não aproveito o tempinho
De que me serve viver?
 
  Há outras formas mais belas
De aproveitar o seu tempo,
Mais acções e menos balelas
Mais calor e menos vento.
 
Se não me convida a entrar
Está por mim convidada,
Para conversa de patamar
Já está muito prolongada.
 
 
 
 
1955- Eduardo Gonçalves

 

                                                                                   


publicado por Fisga às 07:03
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2 comentários:
De rosafogo a 14 de Agosto de 2009 às 00:08
1955?!
Mas esta tua história, parece-me mais uma peça de
teatro com dois actores, que bem interpretada seria
uma maravilha. Mas tu és um rapaz, cheio de imaginação, cada vez que aqui passo fico boquiaberta,
és uma torrente de surpresas. Só te digo, que está muito engraçado este dueto ao despique, ora dizes tu ora digo eu.
Parabéns Eduardo, és o máximo, obrigada pela tua amizade.
Um beijinho carregado de ternura, e fica bem, bons sonhos
natalia


De Fisga a 14 de Agosto de 2009 às 10:12
Olá amiga Natália. Obrigado por vires. E fiquei contente por saber que gostaste. É assim minha amiga: Dizes-me tu que parece uma peça de teatro. Pois é. Eu não sei se alguma vez te disse. Eu fiz teatro amador durante mais de 10 anos, quando trabalhava na sagres. E sei que uma vez levamos à cena uma peça chamada ( Paulo e Virgínia ) Mas sinceramente, não me lembro em que é que me inspirei para escrever este poema. Eu estive mesmo para não o publicar, temendo que não teria muita graça, e eu estava certo, mas também é assim. Eu não escrevo por encomenda. E todos nós sabemos que os gostos de cada pessoa variam, e não se discutem nem se censuram. Apenas se respeitam, é o que eu faço e foi o que me fiseram obrigado a todos por isso. Um beijo Amiga Natália. Deste teu grande amigo. Eduardo.


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