Sábado, 8 de Março de 2008

RETALHOS DA MINHA VIDA.

FOI HÁ MUITO TEMPO III

E tal era a minha inocência e a minha cegueira que não me apercebia de que tudo aquilo estava a ser feito de propósito e então começava a ensaiar a forma de lhe dizer, mas na hora nunca conseguia ter coragem para concretizar, e eles que me queriam tentar tirar essa ideia da cabeça dizendo-me que a tia já era casada e que não podia casar-se com mais ninguém , qualquer coisa assim que tirasse aquela ideia da minha cabeça era tudo o que eles queriam, mas queriam que a conversa partisse de mim, para tudo parecer mais natural e depois eles darem o respectivo seguimento. Como eu nunca tive essa coragem para dizer o que tanto me apetecia dizer,  então a minha tia um dia depois de ter falado com a minha mãe, resolveu ela dar inicio à conversa. Começou por me dizer. Sabes a tia queria muito casar contigo , porque gosto muito de ti mas não pode ser porque já estou casada com o teu tio. Aí eu retorqui-lhe : Se a tia gostasse e  quisesse muito casar comigo ajudava-me a matar o tio e depois já podia-mos casar. A minha tia deve  ter ficado alta do chão, sem resposta para me dar, e então limitou-se a dizer-me . Logo ou amanhã vamos continuar esta conversa que eu agora não tenho vagar, mas até lá biquinho bem calado.estamos entendidos? Ta bem. 


publicado por Fisga às 10:02
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

RETALHOS DA MINHA VIDA.

HÁ MUITO TEMPO II

Eu fingindo que não entendia nada daquilo que se comentava, coisas assim do género (Ó cunhada sabes que eu agora gasto munito). Eu disfarçava aquelas graçolas que me feriam fundo, e chegava a pensar se haveria uma forma de fazer desaparecer o meu tio e aí talvez as coisas se tornassem mais fáceis para mim. Mas como iria eu conseguir isso? Como e com a ajuda de quem? Sim porque eu tinha a noção que sozinho não era capaz de por o plano em marcha, e se depois mesmo assim eu não conseguisse o sim da parte da minha tia? Bom era uma confusão tremenda que não aclarava e nem escurecia. Quando me parecia que a abobada celestial desabava sobre a minha cabeça, lá vinha a minha tia dizer-me anda cá à tia que eu gosto muito de ti. Aí parecia que tudo se animava de novo, e lá começava eu a sonhar outra vez. Depois os meus pais e os meus tios que  embora preocupados achavam muita graça a tudo aquilo, começavam a preparar-me o terreno para ver se eu ganhava coragem e dizia à minha tia o que tanto eu queria dizer-lhe, mas:  E a coragem para o fazer? Como eu me fechava no meu casulo, lá vinha logo a piada (afinal eu agora já gasto menos) E andávamos nisto. E eu a morder-me todo porque percebia muito bem o que eles diziam embora o não demonstrasse.


publicado por Fisga às 12:06
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

RETALHOS DA MINHA VIDA.

 

HÁ JÁ MUITO TEMPO I

Há cerca de 65 anos um miúdo de 7 anos viu enfim o seu sonho concretizado: Ir para a Escola, por quê? Porque queria ser um doutor? Um cientista? Um professor, ou outra coisa assim parecida? Não: Porque se encontrava apaixonado por uma senhora que por sinal já era casada mas que foi a mulher mais bonita que ele viu em toda a sua vida até aquela altura. Como o facto de ser casada não fosse suficiente empecilho ainda por cima era sua tia direita, casada com um irmão do seu pai. Mas isso na ideia dele não tinha qualquer importância, nem o facto de ela ser casada e nem por ser sua tia, a sua obsessão era tal que para ele nada disso era um problema. O seu único objectivo era, se aprendesse a ler e escrever poderia escrever-lhe uma carta a manifestar o seu sentimento por ela, já que não tinha coragem de lhe dizer frente a frente o que sentia por ela. Tal foi o seu empenho na sua tarefa que ao fim de 45 dias de aulas, conseguiu finalmente, escrever a tão ansiada carta. Claro que eram muitas mais as palavras que ele queria dizer do que aquelas que conseguiu dizer, isto para não falar dos erros ortográficos, mas sempre conseguiu dizer (Sabe que eu gasto munito de ti e quero casar contigo). Foi uma cessão de gozo no meio das duas famílias, a  tia e o tio e os  pais dele, que por sinal se davam muito bem todos, era uma gozação encapotada mas não tanto que o miúdo não percebesse que era dele que se falava. Falava-se que ele (gastava munito) Comentava-se também os 45 dias bem aplicados para aprender a manifestar a sua paixoneta, Tudo isto comentado entre dentes meios serrados por gente que tinha entre os 30/35 anos. São as idades em que quando há saúde tudo tem muito mais graça, apenas o principal actor não achava graça nenhuma.

 


publicado por Fisga às 10:35
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