Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

PARTIDAS DO DESTINO XVIII

ESTE TEMPO ASSUSTA-ME

Estamos a 7 de Agosto10h. Da manhã, frente à minha janela olho o céu que me assusta. Lembro-me de alguns tremores de terra, a que já assisti e que marcaram em mim, lembranças tristes e assustadoras. Assim pensando, fico a tremer imaginando: Eu fui testemunha de um tremor de terra em data que não tenho de memória mas que deve ter acontecido na década de 60/50. Estava eu numa sub-cave de um prédio em Lisboa, a tentar descobrir uma avaria eléctrica, que se deu provavelmente por excesso de humidade, pois a placa que faz de teto estava repleta de gotas de água, que iam caindo a espaços de poucos segundos. Quando comecei a sentir algo estranho e tive a sensação de estar sob uma terrível tempestade de chuva torrencial, olhei para o teto mas já não vi nada, porque os três circuitos de iluminação que ainda se encontravam em funcionamento, e que davam para eu me servir, tinham-se apagado também, envolto num escuro total, corri por intuição para a zona do elevador de gatas dei inicio à saída até à rua, quando cheguei à rua, todo o mundo estava assustado e estarrecido com o sucedido. Verifiquei que tinha sido um forte tremor de terra. Depois de recuperar do susto, muni-me de uma lanterna eléctrica, e entrei de novo na cave, verifiquei entre outras coisas que me assustaram, que no teto não havia uma única gota de água, o edifício foi de tal forma sacudido que todas as gotas que estavam no teto caíram. Isso fez com que eu tomasse melhor consciência do perigo a que estive exposto. Lembro-me que era um dia meio taciturno, como este que me inspirou para contar este acontecimento, de que eu fui um dos muitos protagonistas.

Daí a razão de este tempo me assustar.  

 


publicado por Fisga às 09:00
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9 comentários:
De Maria João Brito de Sousa a 13 de Agosto de 2008 às 14:49
Olá, meu amigo. Eu tenho ideia de um bem forte, devia eu ter os meus 15 anos, por isso deve ter sido na segunda metade da década de 60. Já nessa altura eu era poeta e reagi logo com um soneto inspirado no canto I d`Os Lusíadas que então andava a estudar. Perdi esse soneto, mas ainda me lembro que começava assim;
Ao tremor de terra assinalado
Na Ocidental praia Lusitana
Que meio mundo deixou aterrado
E outro meio fez fugir da cama...

Tenho pena de não me lembrar de tudo, mas ainda me recordo de outro bocadinho que dizia;

E na rua, à chuva, lá ficaram...
Nunca tantas gripes se apanharam!

Eu já tinha descoberto, nessa altura, que o sentido de humor é uma excelente forma de se lidar com o medo.
Lembro-me que chuviscava e que houve uma explosão por simpatia num paiol que havia relativamente perto de minha casa. Foi um caos, mas eu só me lembro de ter pegado na minha irmã ao colo (ela devia ter uns 4 anos) e de ter pensado que não haveria tremor de terra nenhum que matasse aquela criança enquanto eu estivesse viva. Talvez eu fosse um bocadinho inconsciente, mas não tinha medo por mim. Só por ela.
Um abraço.


De Fisga a 13 de Agosto de 2008 às 20:41
Olá Poeta porque Deus Quer. Olha Miga. É muito provável que tenha sido esse mesmo. Porque eu também me lembro que chuviscava aquela chuva chamada molha tolos muito miudinha. Mas lembro-me de um outro de que eu não falei porque achei que era caricato falar das recordações que ele me deixou. Mas agora aqui e a ti vou contar-te: Não tenho a mínima ideia da data, mas sei que foi ás 4,20h. da manhã. Foi muito forte e fez muitos prejuízos em coisas que caíram dos móveis e das mesas e que se partiram não tenho ideia de que tenha havido mortes. Mas houve muita gente que fugiu para a rua conforme estava na coma. Eu fiquei-me pela janela, porque quando eu comecei por ouvir as vacas e os cães
a uivarem e as galinhas a cacarejar, eu estava acordado, mas não me passava pela cabeça que fosse um tremor de terra, quando eu dei bem conta de que era um tremor de terra que foi muito rápido, já não adiantava nada fugir para a rua mas vi da janela Uma senhora de botins de borracha calçados e sem mais nada sobre o corpo, e o marido dela só de sapatos sem meias, e com a gravata posta no pescoço. E outras pessoas apenas embrulhadas em mantas, o que ainda deu para eu me rir, como se diz, do mal dos outros. Mas aquilo foi horroroso também. Um grande abraço do teu amigo fisga.


De Maria João Brito de Sousa a 14 de Agosto de 2008 às 00:13
Também me lembro de um, mas já eu era casada. Não foi tão grande, mas eu tinha, nessa altura, um cão grande, de raça incerta, chamado Ferrugem. Uns bons dez minutos antes dele começar o Ferrugem pareceu enlouquecer. Puxava-me pelas calças, pela camisola, ladrava, levava-me à força para a porta da rua, arranhava a porta e queria à força que eu saísse. Eu começava a pensar que o meu amigo tinha enlouquecido mesmo, quando o tremor de terra começou. Durou poucos minutos, mas deu uns fortes abanões ao prédio. Uma das paredes da cozinha abriu uma racha e tudo e as coisas que estavam nas prateleiras vieram parar ao chão.


De Fisga a 14 de Agosto de 2008 às 10:23
E agora pergunto eu amiga Poeta. Como é que é possível não se ter um grade amor a um animal como o ferrugem? Pode dizer-se que é um amor diferente do que se nutre pelos humanos, nós sabemos que há de facto diferença, eu já não estou tão certo, se não será a diferença, que faz a diferença. Todos nós carecemos de carinho e compreensão, o cão pode não manifestar aprovação pelos nossos actos, mas a verdade é que não a censura, e há palavras que doem mais que bofetadas, essa é a grande diferença. Um abraço.


De Maria João Brito de Sousa a 14 de Agosto de 2008 às 13:18
Tens razão, meu amigo. Há realmente palavras que doem mais do que chicotadas, sobretudo quando vêem daqueles que menos esperávamos. Os animais gostam de nós como somos e não têm segundos interesses escondidos na manga. Esse meu amigo Ferrugem arriscou a vida por mim atirando-se a um Doberman que se soltou de um jardim de uma vivenda e me atacou, nem eu sei porquê. O Ferrugem era rafeiro e nunca tinha sido treinado para a luta, mas o que é certo é que conseguiu fazer bater o "atacante" em retirada. Ficou muito mordido e perdeu muito sangue e eu tive de andar a tratar-lhe das feridas com todo o cuidado, mas ainda hoje lhe estou grata porque o outro pobre animal era mesmo um daqueles cães que são treinados para atacar e andar em lutas.


De Fisga a 15 de Agosto de 2008 às 17:56
Olá Amiga Maria João. Este é apenas o meu ponto de vista e aceito que esteja errado, porque não nasceu ainda a pessoa que há de ser o dono absoluto da verdade. Mas para mim há dois animais muito superiores em termos de dedicação e fidelidade, são eles: Primeiro o cavalo e depois o cão, cada um dentro da sua própria condição, são de uma inteligência e de uma dedicação impares. Um abraço amiga.


De Maria João Brito de Sousa a 16 de Agosto de 2008 às 00:11
E são mesmo, meu amigo. Mas eu, que sempre vivi com gatos, garanto-te que são muito mais dedicados aos seus amigos humanos do que aquilo que as pessoas costumam pensar deles. E também não os acho nada traiçoeiros, muito pelo contrário. São capazes duma ternura que é difícil de explicar.
Abraço!


De MIGUXA a 13 de Agosto de 2008 às 19:25
Olá amigo Fisga,

Quando o tempo está assim, fico meia cá meia lá, cabeça muito azamboada mas, tento não pensar no pior. Quando a experiência de vida já nos trouxe tantos eventos bons e maus, é preferível tentar esquecer os maus e pensar sempre positivo. Um dia atrás do outro, porque quando chegar a nossa vez não há nada a fazer... Está feito.

Xi-kor
Margarida


De Fisga a 13 de Agosto de 2008 às 20:57
Olá Amiga Margarida. É esse o melhor sistema, viver cada dia como se fosse o último, com tranquilidade e paz de espírito. Tentar manter a calma e evitar o pânico, claro, dentro do possível, porque não é tão fácil de concretizar como de dizer, mas fazermos o melhor que formos capazes. Evitar sempre de sofrer por antecedência. Porque o que tiver que ser será.
---A talho de foice: sabes qual o melhor sítio para nos defendermos, em casos que tais? É na posição fetal, e junto de uma parede ou de um muro, é o sítio mais provável de ficar uma caixa-de-ar em caso de desmoronamento, isto serve para casa e para a rua. Um abraço e boa noite.


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